Editora cria primeiro clube de literatura africana por assinatura do Brasil

Obras literárias selecionadas pretendem desconstruir representações negativas sobre a África; Iniciativa é do escritor angolano João Canda

Texto: Redação I Edição: Nataly Simões I Imagem: Olly/Fotolia

Para contribuir com a promoção da cultura africana no território brasileiro através da literatura e de outras manifestações culturais, o escritor, produtor cultural, palestrante e consultor editorial João Canda, nascido em Angola, criou a editora Literáfrica. Esta fundou, há dois anos, o primeiro clube de literatura africana por assinatura do Brasil.

O objetivo do clube é incentivar a leitura de obras de escritores africanos e dos conhecimento de suas diversas culturas. A iniciativa aposta em autores contemporâneos por considerar o trabalho feito por eles como um movimento de retorno às origens do povo negro.

"Essa é uma necessidade que o Brasil e o mundo vêm sentindo. A partir das iniciativas de palestras, feiras, conferências com escritores africanos, edição e lançamentos de livros de escritores africanos, espaços para diálogos sobre as questões raciais e valorização da cultura africana, percebemos cada vez mais a necessidade de criar espaços que permitissem conhecer uma África que não foi contada nem lida", conta Paulo Costa, integrante da Literáfrica, em entrevista à agência Alma Preta.

A curadoria dos livros é feita por escritores africanos dos respectivos países com experiência e longa carreira, que têm levando em conta o levantamento de necessidades que a editora vem produzindo nas suas mais diferentes iniciativas, oferecendo assim livros que vão de encontro a necessidade de conhecimento histórico, cultural, social e político da África diversa e complexa.
 
"Temos livros de autores de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, Nigéria, Camarões, África do Sul, São Tomé e Príncipe e seguimos querendo expandir, até porque a literatura africana é o núcleo do Literáfrica. Por isso, nossos Clube vem atraindo não só brasileiros como também leitores de outros países da América Latina", explica Costa. 
 
literafrica
Foto: Divulgação
 
Os assinantes do clube recebem os livros em casa todo início de mês. Os títulos selecionados são resultados dessa curadoria coletiva proposta pela editora que elege, mensalmente, quais serão as obras de escritores africanos que serão divulgados em seus lançamentos. 

"A África está presente no dia a dia e sempre teve grande influência na base cultural do povo brasileiro. Por isso, a Literáfrica vem desenvolvendo iniciativas que reforçam os laços entre África e o Brasil, com mais educação, literatura e intercâmbio cultural", ressalta o representante da editora.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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