Mostra online vai expor obras de mulheres da Amazônia

Iniciativa recebeu inscrições de mulheres cis e trans de 16 a 28 anos, que usaram seus aparelhos celulares para produzir materiais digitais

Texto: Flávia Ribeiro | Edição: Nataly Simões | Imagem: Andrea Piacquadio/Pexels

Introdução:

Iniciativa recebeu inscrições de mulheres cis e trans de 16 a 28 anos, que usaram seus aparelhos celulares para produzir materiais digitais

Texto: Flávia Ribeiro | Edição: Nataly Simões | Imagem: Andrea Piacquadio/Pexels

Com o objetivo de dar visibilidade ao protagonismo de jovens mulheres da região amazônica e colocar a identidade amazônida no centro de debates, a Mostra Cultural online Amazônia Mulher-2021 acontece entre os dias 19 e 23 de fevereiro.

A iniciativa recebeu inscrições de mulheres cis e trans de 16 a 28 anos, que usaram seus aparelhos celulares para produzir materiais digitais. Serão selecionados os trabalhos de dez mulheres artistas e escritoras do Pará e que atendam ao tema ancestralidade feminina amazônida.

Além de dar oportunidade para valorizar a produção artística, a mostra é também uma forma de gerar renda para as selecionadas. “Na região Norte, muitos talentos surgem na cena independente enfrentando inúmeras dificuldades, as mulheres em especial, são atravessadas por adversidades como: desemprego, baixos salários, desigualdade de gênero, (no caso das mulheres negras e transexuais) acrescenta-se racismo e transfobia, entre tantas outras amarras patriarcais que ferem a autoestima e demarcam nossos espaços na sociedade”, analisa a cientista social Laiane Guedes, criadora e responsável pelo evento.

“Nosso objetivo é mostrar o trabalho dessas mulheres e como elas se enxergam aqui na Amazônia, como é ser uma mulher negra na Amazônia? Como é ser uma mulher indígena na Amazônia? Quem são essas mulheres? São basicamente essas perguntas que queremos responder com os trabalhos apresentados, mostrar nossa pluralidade e as lutas individuais de sobrevivência dessas mulheres em nossa região”, acrescenta Laiane.

O material selecionado será publicado nos perfis das redes sociais do evento e haverá a transmissão de lives com a participação das artistas. O resultado da seletiva será divulgado nas redes sociais do evento no dia 17 de fevereiro. As artistas selecionadas ainda participam de duas oficinas online de escrita criativa a serem ministradas virtualmente pela organização do evento nos dias 1 e 2 de março.

O projeto foi aprovado no edital Juventude Ativa Lei Aldir Blanc Pará-2020, que ainda conta com a curadoria de Victória Sampaio, fotógrafa, videomaker e arte educadora e Táfta Briana, professora de Filosofia. “O resultado mais esperado é mostrar caras novas, mulheres de outras cidades não somente da região metropolitana de Belém, a criação dessas mulheres também precisa ser vista por nós que ocupamos essa região. Além disso, poder oportunizar a remuneração é também, de alguma forma, fazer elas acreditarem em seus trabalhos”, afirma a responsável.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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