Amefricanidade e afrofuturismo são temas de exposição virtual de fotografia

Idealizada pela pesquisadora Sanara Rocha, mostra“Futurismos Ladino Amefricanas” tem como referência a intelectual Lélia Gonzalez; trabalhos podem ser submetidos até o dia 31 deste mês

Texto: Redação / Edição: Lenne Ferreira / Imagem: Divulgação

Embasado no estudo sobre as contribuições e experiências dos povos negros e indígenas nas Américas pela intelectual Lélia Gonzales, projeto fotográfico online, “Futurismos Ladino Amefricanas”, abre inscrições para reunir artistas que unem fotoperformances à saberes ancestrais como tecnologia de produção futura. Idealizado pela mestra em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Sanara Rocha, a plataforma receberá trabalhos até o dia 31 deste mês. 

Ao todo, 12 trabalhos serão selecionados para integrar de uma mostra online e uma revista digital, que estão previstos para serem publicados ainda no primeiro semestre deste ano, até o mês de março. O projeto ainda reserva 50% das vagas para indígenas aldeados ou autodeclarados indígenas. 

Para explicitar a temática central proposta, o projeto visa trabalhar saberes negro-indígenas brasileiros e as suas ressignificações no contexto da contemporaneidade, como um meio tecnológico de  reconstrução de um futuro-presente. Memórias negras e ameríndias serão o foco para o exercício de reflexão de como a ancestralidade e seu conhecimento podem dar um novo olhar sobre as possibilidades de existência futura a esses povos. 

“Para nós, povos não brancos deste território, as memórias vêm sendo como verdadeiros espelhos, onde miramos e enxergamos todas, todes, todos nós como seres de valor. Isso é lembrar e construir o futuro!”, afirma a idealizadora, Sanara Rocha, que também é pesquisadora, produtora cultural e multiartista.

Nomes de artistas brasileiros como Atteus Shamaxy, Dani de Iracema, Dorotiane, Laís Machado, Ricardo Andrade e Tina Melo já foram escalados para contribuírem no evento virtual. 

O formulário de inscrição está disponível no link: https://bityli.com/9TQ9d

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

Apoie o Alma Preta e nos ajude a continuar contando todas essas histórias.

Vamos fazer jornalismo na raça!