Novo presidente da Câmara, Arthur Lira, não tem atuação em projetos de igualdade racial

No ranking do Observatório do Legislativo Brasileiro, o membro do Partido Progressista também tem colocações baixas em temas como Ciência e Mudanças Climáticas

Texto: Roberta Camargo | Edição: Nataly Simões | Imagem: Agência Brasil

Com 302 votos, o deputado Arthur Lira (PP-AL) foi eleito o novo presidente da Câmara dos Deputados. Ele foi apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) e nos próximos dois anos deve atuar na decisão de pautas de interesse público votadas na casa legislativa.

No ranking de Igualdade Racial (2015-2018) do Observatório do Legislativo Brasileiro, o parlamentar ocupa a posição 524º, quando o tema é igualdade racial, sem citar o assunto em discursos proferidos, emendas apresentadas e votos em plenário. A eleição de Lira acontece em um contexto onde dos 513 deputados federais, 125 se autodeclaram negros.

Em seu discurso de posse, Lira destacou a importância da Câmara para o exercício da democracia brasileira e prometeu ouvir "todos os lados", se referindo aos deputados que não votaram nele na eleição ocorrida em 1 de fevereiro. O sociólogo Wescrey Portes analisa que o cenário pode ser diferente. "A tendência é que as pautas de igualdade racial não tenham espaço para caminhar e que agendas que possam criar um desgaste com o governo sejam brecadas", considera.

O novo presidente da Câmara ajudou a construir uma base de apoio a Jair Bolsonaro na Casa e foi pivô de articulações feitas pelo Palácio do Planalto para conseguir a eleição, que representa o retorno do chamado "Centrão" para o comando da Câmara dos Deputados. "Mesmo que exista uma maioria de parlamentares buscando direitos para a população negra, não me parece que vão ser agendas que devem ter prioridade", conclui Portes.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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