Deputado acusa Lumena de 'racismo contra brancos' e protocola denúncia

Aliado de Bolsonaro, o deputado Anderson Moraes (PSL) postou um vídeo em suas redes justificando a acusação e classificando comentários que a psicóloga baiana fez sobre Karla Diaz como “racismo reverso”

Texto: Redação / Edição: Lenne Ferreira / Imagem: Reprodução/TV Globo

A edição do Big Brother Brasil 2021 extrapola a telinha e tem gerado consequências na vida real dos participantes, mesmo que eles ainda não saibam disso. Depois de contratos cancelados com Karol Conka, denúncias de ameaças aos familiares de Projota, agora, é a participante Lumena que sofre acusação formal pelo crime de “racismo reverso”. Na terça (9), o deputado Anderson Moraes, do PSL, apresentou notícia crime contra a participante do BBB na Delegacia de Combate a Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), no Rio de Janeiro, solicitando abertura de inquérito para apurar o caso.

A denúncia tem como base uma conversa entre Lumena e Karol Conká em que a baiana falou sobre a aparência da participante Karla Diaz comentando que achava a atriz “sem melanina”, “desbotada” e “olho de boneca assassina”.

A notícia foi divulgada pelo próprio deputado, que tem uma foto o atual Presidente da República, Jair Bolsonaro, no perfil de suas redes sociais. Em um vídeo na frente da Delegacia que acatou a denúncia, ele escreveu: “Protocolamos uma notícia crime contra a participante Lumena pela fala pejorativa e ofensiva generalizada à raça branca. Um caso claro de racismo de duas jovens negras contra pessoas brancas. Pedimos para a Decradi apurar os fatos e se manifestar pela expulsão dela do programa. Se fosse o contrário, o que seria igualmente crime, já teriam se mobilizado para combater o racismo", finalizou. 

A Assessoria da psicóloga baiana ainda não se posicionou sobre a ação. A Redação da Alma Preta entrou em contato com a equipe vias redes sociais, mas não obteve resposta até o momento.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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