Deputada de partido conservador é a primeira negra a integrar mesa diretora da Câmara Federal

Rosângela Gomes é de Nova Iguaçu (RJ) e será responsável pela gestão dos apartamentos funcionais da casa legislativa, função útil na articulação política

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Divulgação/Republicanos

Com 418 votos, Rosângela Gomes (Republicanos) está entre os 11 parlamentares eleitos para formar a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, na gestão do novo presidente Arthur Lira (PP-AL). Ela assume a vaga titular da 4ª secretaria e é a primeira mulher negra a participar do grupo que terá forte influência nos projetos e debates da Câmara nos próximos dois anos.

Oficialmente, a 4ª secretaria é responsável pela gestão dos apartamentos funcionais destinados aos deputados, porém, na prática é uma posição estratégica de negociação da mesa. A vitória de Rosângela foi comemorada pelo Republicanos, que destacou o fato dela ser a primeira mulher negra na história da Mesa Diretora.

A parlamentar possui mais de 20 anos de atuação na política e é da cidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde tentou ser prefeita nas eleições de 2016, ficando em terceiro lugar. Dez anos antes, em 2006, ela concorreu a uma vaga no Senado.

Dos 11 membros da mesa, há três mulheres: Além de Rosângela, Marília Arraes (PT-PE) na 2ª secretaria, e Rose Modesto (PSDB-MS) na 3ª. Em sua atuação como deputada, Rosângela tem defendido propostas de proteção para as mulheres e políticas de igualdade racial para a população negra. Aos 54 anos, ela está no segundo mandato.

“Estou feliz por ter recebido a confiança dos meus colegas deputados que acreditam na nossa proposta. Também fico feliz pelo meu partido ter acreditado na força da mulher negra e periférica para estar aqui representando uma parcela significativa do Rio de Janeiro”, afirmou a parlamentar à TV Câmara.

Com perfil conservador e cristão, Rosângela é advogada e auxiliar de enfermagem. A parlamentar diz querer consolidar os debates sobre questões raciais. “Estou representando a história de quem vem de um bairro periférico, de uma cidade como Nova Iguaçu. Será uma grande responsabilidade e farei o possível para corresponder da melhor maneira possível”, enfatizou.

 O povo preto quer narrar suas histórias

Vivemos em um mundo de disputa. Nossa sociedade tem profundas marcas das desigualdades que foram desenhadas ao longo da história. Na atualidade parece que há espaço para debate, a tão falada representatividade está sobre a mesa.
Mas o povo preto quer mais. Queremos narrar nossas próprias histórias. Queremos ter direito de fala não somente quando essa é concedida. Somos múltiplos, somos muitos e plurais. A ótica de ser preto no Brasil se revela como um espectro, tamanha a diversidade dos povos ancestrais que nos originaram, e a variedade de experiências que podemos ter e ser. Pertencer. O que nos conecta é pele.

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